Espaços Coletivos para o Arroio Taquara

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2018

✰ Premiado pelo IAB-RS como melhor trabalho de conclusão de curso em

Arquitetura e Urbanismo do semestre 2018/1, UFRGS

✰ Projeto selecionado para representar o Objetivo de Desenvolvimento

Sustentável 12 - Consumo e Produção Responsáveis no Guia IAB para a Agenda 2030

As hortas comunitárias, quando inseridas em contexto urbano de degradação sócio-ambiental, exercem papel essencial de integração social e preservação da natureza. Apesar deste mérito, são espaços suscetíveis a ameaças de desmobilização por parte dos governos locais, seja por desestruturação direta, seja por políticas públicas que priorizam o mercado imobiliário em detrimento de iniciativas locais autônomas.

 

Este projeto busca identificar estratégias urbanísticas que colaborem com o fortalecimento da coesão social gerada pela Horta Comunitária da Lomba do Pinheiro, adotando estratégia de estudo de caso único: a HCLP e seu contexto urbano. Como quadro conceitual relacionou-se o urbanismo ecológico com abordagem urbanística de espaços abertos com vitalidade. 

 

De modo a reforçar seu papel de referência na comunidade, propõe-se a articulação com demais usos para agregar dinamismo e segurança à horta, potencializando-a e, simultaneamente, aproveitando sua essência como espaço-âncora para irradiar engajamento para outros espaços. A partir da experiência da autora como voluntária na HCLP, foi possível identificar problemas que abrangem área maior que a horta em si, levando à abordagem em três escalas. 

diagnóstico

A Lomba do Pinheiro é um bairro da zona leste de Porto Alegre, com área de 2455 hectares, com ocupação heterogênea e desvinculada à malha urbana contínua: nela, convivem núcleos densos de ocupação irregular, grandes massas de área verde, arroios e nascentes, além de áreas de produção agrícola de caráter familiar.

O território da Lomba representa grande valor ambiental para a cidade de Porto Alegre por apresentar campos e mata nativos, topos de morro e abundância de nascentes e arroios. No bairro, encontram-se as nascentes de dois dos maiores arroios da cidade, o Dilúvio e o Salso, que compõem o chamado anel de nascentes identificado no Atlas Ambiental de Porto Alegre.

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proposta: intervenção em 3 escalas

A área de intervenção é composta por: (1) Bacia Hidrográfica do Arroio Taquara, área com ocupação urbana consolidada, com carência de equipamentos públicos e áreas verdes; (2) Arroio Taquara, manancial degradado que integra o anel de nascentes de Porto Alegre e cuja poluição causa problemas de saúde na população local; (3) entorno da Horta Comunitária, espaço comunitário referência na região, com demandas de melhorias no entorno.

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macroescala: espaços coletivos para a bacia do Arroio Taquara

A macroescala compreende o conjunto de sete vilas em torno do arroio taquara e teve como objetivo propor um sistema de espaços coletivos e equipamentos para a bacia hidrográfica do Arroio Taquara.
 

A partir da análise da área, foram propostas duas estratégias urbanísticas principais. A primeira adota o conceito de espaços abertos com vitalidade, proposto por Jane Jacobs (1961) e definidos como espaços que atraiam um grande número de usuários, com perfis variados, horários, interesses e propósitos diversos. Quanto maior a diversidade de usos e usuários, maior será a capacidade do espaço se manter animado e seguro naturalmente. A autora elenca quatro requisitos para atender a essa estratégia: complexidade, centralidade, insolação e sombreamento e delimitação espacial. A segunda estratégia baseia-se no conceito de infraestrutura verde e azul, que consiste em compreender os recursos naturais como parte da infraestrutura urbana, mimetizando os fluxos ocorrentes nas paisagens naturais. Ancora-se essa estratégia no quadro teórico e técnico do urbanismo ecológico.

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mesoescala: parque ambienta de recuperação do Arroio Taquara

A mesoescala teve como objetivo a criação de um parque ambiental para o Arroio Taquara, visando promover a recuperação e valorização do arroio, incorporando a proposta de parque linear lançada pelo projeto participativo Construindo a Lomba do Futuro. Os limites do parque linear são revistos para englobar as áreas de risco e de mata nativa remanescente, bem como considerar áreas de ocupação já consolidada.

Propõe-se a aplicação de técnicas de bioengenharia para recomposição do talude, recomposição da mata ciliar e intervenções de baixo custo nas pontes, criando espaços de conexão com o arroio.

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microescala: plano de ocupação do lote da Horta Comunitária 

A microescala contou com um projeto de espaço de lazer para o entorno da Horta Comunitária da Lomba do Pinheiro, uma demanda atual da comunidade, incorporando decisões projetuais elaboradas em uma atividade participativa realizada com moradores, acadêmicos e técnicos na horta. Como resultados, tem-se o projeto de uma praça e a proposta de processo de projeto que incorpora a análise técnica com enfoque ambiental e urbanístico juntamente com método participativo.

Conforme o plano da macroescala, propõem-se espaços com usos variados no lote, proporcionando animação ao local e contribuindo para a sensação de segurança dos espaços públicos. As duas praças projetadas, Praça dos Ipês e dos Jerivás, têm em comum o nome de árvores nativas da região. 

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intervenção de baixo custo nas pontes do Arroio Taquara

A Praça dos Jerivás caracteriza-se como uma praça seca e tem como premissa a reutilização das edificações existentes, incorporando novos usos à parte do programa mantido da CEU. Nas áreas abertas da praça, propõem-se a recuperação da quadra coberta e pista de skate, bem como área de esplanada para realização de feiras e anfiteatro para apresentações culturais.

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Praça dos Jerivás: reativação de equipamentos abandonados

A Praça dos Ipês, localizada entre a Horta Comunitária e o Arroio Taquara, por sua vez, é mais voltada à conexão com a natureza e lazer, tendo área esportiva, pracinha e uma nova “praia da lomba”, um espaço histórico de lazer a ser retomado pela população.

 

No encontro da Praça dos Ipês com o Arroio Taquara, as biotécnicas implementadas criam uma pequena represa da água, possibilitando o uso pra balneário, e embaixo da ponte fica instalada a grade da ecobarreira, coletando os eventuais lixos antes de eles chegarem à area de banho, e ao mesmo tempo servindo como demonstração pra atividades de educação ambiental.

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Praça dos Ipês: espaços de lazer e conexão com as margens do arroio
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"Praia da Lomba": reconexão com espaço de lazer histórico do bairro
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Guia IAB para a Agenda 2030

Projeto selecionado para representar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 - Consumo e Produção Sustentáveis

https://www.iabsp.org.br/?noticias=projetos-e-planos-selecionados-para-a-2a-edicao-do-guia-iab-para-a-agenda-2030

ESPAÇOS COLETIVOS PARA A BACIA DO ARROIO TAQUARA

Articulação de demandas sócio-ambientais na Lomba do Pinheiro

 

Mariana Mocellin Mincarone

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo UFRGS

orientação: Profa. Dra. Eugênia A. Kuhn e Profa. Dra. Geisa Z. Rorato

texto de autoria de Eugênia A. Kuhn e Mariana M. Mincarone